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No mês de Novembro do ano passado publiquei junto com o aluno Henrique Lisboa, aluno do 8º período de Jornalismo da Fumec sobre a imprensa.
A Imprensa na Corda Bamba
Insenção, imparcialidade e objetividade são palavras recorrentes na proposta da maioria dos veículos de comunicação. Em contrapartida, as escolas ensinam que esses jargões que não existem. O jornalista editor da revista Caros Amigos Renato Pompeu explica que existe sim parcialidade e que ela está regida por interesses outros que não o de prestar serviço público. ´´A mídia grande se apresenta como imparcial, mas na verdade cada veículo defende os seus interesses como empresas´´.
Há, no entanto, outros profissionais na área de Comunicação Social que ainda acreditam na imparcialidade da mídia. ´´O discurso da imprensa chega á sociedade brasileira sob o manto da imparcialidade, da verdade e da objetividade´´ afirma a relação públicas e coordenadora do projeto Sempre um Papo em Belo Horizonte, Ray Ribeiro. Porém ela explica que existe país onde essa imparcialidade vive ameaçada, como acontece em Israel, Líbano e outros.
A história da construção da imprensa no mundo se transformou após a hegemonia capitalista nos países entrais. Desde o surgimento da imprensa os jornais e revistas mantiveram posicionamentos partidários. Como ainda acontece na Europa.
Segundo o jornalista Cell Blanc, do site Rabisco, o caráter inicial do jornalismo mudou e quebrou o mito (ou ideal) da neutralidade adquirida após a Revolução Francesa, no século XVIII. ´´ O caráter social d informação, seu potencial transformador da realidade, sua legitimidade e autencidade foram abandonados. O capitalismo resultante das luzes está sendo mais forte que a liberdade que se esperava com esse período.´´
Na segunda metade do século XIX, o termo imparcialidade ganhou força nos EUA, mas os anunciantes perceberam que o público dos jornais partidários eram muito fragmentados, o que dificultava o lucro publicitário. Começaram, então, a eclodir agências de notícias, supostamente neutras, mas patrocinadas por estes mesmos anunciantes. O editor da revista Caros Amigos assegura que as´agências tornaram a feiura dos jornais mais barata, de modo que esses passaram a ser porta-vozes da ´´neutralidade´´ partidária, mas não da ´´neutralidade empresarial´´.
O Ponto entrevistou Francisco Fonseca, professor de Ciências Políticas na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo autor do livro ´´O Consenso Forjado: a grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil´´ (Ed. Hucitec, São Paulo,205), um exame da grande imprensa no cenário político brasileiro entre os aos de 1985 e 1992.